quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vem sentar-te comigo, Lídia

6 comentários:

© Piedade Araújo Sol 11:30 da manhã  

belo registo!
até sorri..

beij

© Piedade Araújo Sol 11:36 da manhã  

e cá vai o poema que deu origem ao titulo

:

Vem sentar-te comigo, Lídia , à beira do rio

Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis

Alex 7:28 da tarde  

Tu fazes-me sorrir ...

Manuel da Mata 7:45 da manhã  

E onde fica a beira rio? Não, que posso que ter que pagar o óbulo mais cedo. Nesse convite não alinho. :))))))))))))))))
Ensinei isto vinte anos.

Manuel da Mata 7:51 da manhã  

E depois, não me chamo Lídia. É um dos grandes textos de Ricardo Reis, aliás, Fernando Pessoa.

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