quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A minha vida é um barco abandonado

 A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?

Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.

Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.

Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'


Para o Manel da Mata

5 comentários:

Alex 5:11 da tarde  

Mais um barco de Poeta, cabe ao Manuel continuar a navegar nas palavras

Manuel da Mata 8:39 da tarde  

Obrigado, Piedade.
Obrigado, Alex.
Hei-de corresponder. Beijos para ambas.

IMaria 10:59 da tarde  

o poema é lindo e a foto tb. jinhos.

IMaria 10:59 da tarde  

o poema é lindo e a foto tb. jinhos.

Filoxera 10:28 da tarde  

A combinação perfeita. Dedicatória certeira.

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