quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Solidão


Estás todo em ti, mar, e, todavia, 
como sem ti estás, que solitário, 
que distante, sempre, de ti mesmo! 

Aberto em mil feridas, cada instante, 
qual minha fronte, 
tuas ondas, como os meus pensamentos, 
vão e vêm, vão e vêm, 
beijando-se, afastando-se, 
num eterno conhecer-se, 
mar, e desconhecer-se. 

És tu e não o sabes, 
pulsa-te o coração e não o sente... 
Que plenitude de solidão, mar solitário! 

Juan Ramón Jiménez, in "Diario de Un Poeta Reciencasado" 
Tradução de José Bento

6 comentários:

... a cada instante ... 1:24 da tarde  

Adorei esta partilha! Obrigada.

"num eterno conhecer-se"
<3

IsaMaria 4:20 da tarde  

o mar que amo e suas cores fantásticas tal como o poema é fantástico. beijinho

MARILENE 5:56 da tarde  

Que belo poema! O mar, com todo seu encanto, é solitário. Bjs.

Alex 9:39 da manhã  

Gosto dessa solidão.

Filoxera 11:02 da manhã  

Muito bem conjugados, imagem e texto...

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